Revista

Edição 09 - 8

ENTREVISTA com CLARISSA GUERRETTA


PERFIL:
1) Nome: Clarissa Luna Borges Fonseca Guerretta
Cidade: Rio de Janeiro
Estado: RJ
País: Brasil 
Formação: Graduação em Letras/Libras (UFSC), Pós-graduanda em Libras: Ensino, Tradução e Interpretação da Libras (UFRJ) e Pós-graduanda em EAD (SENAC).
Profissão: Professora e Coordenadora de Libras 
Local de Trabalho: APILRJ
Local de Estudo: UFRJ
Contato: clarissaguerretta@hotmail.com

2) Você nasceu surda? Pode contar um pouco sobre infância, adolescência e juventude?
Nasci no ano de 1978, em Aracaju-SE, na cidade de Atalaia. Meus pais vieram morar no Rio de Janeiro. Em setembro de 1980, fui internada no hospital por 26 dias, havia contraído meningite. Em dezembro deste mesmo ano, minha mãe descobriu que eu havia ficado SURDA. Durante a minha adolescência e juventude, descobri a cada dia o que era ser Surda e me esforcei muito para conhecer o mundo dos Ouvintes, e também dos estudos.

3) Em quais escolas e universidades estudou? 
Em 1981, comecei o tratamento fonoaudiológico e ingressei na escola particular Maria Fumaça, mas no ano seguinte todas as mães de alunos da citada escola fizeram um abaixo-assinado para que eu saísse. Por indicação de uma fono, fui para o Instituto Nossa Senhora de Lourdes (INOSEL), onde estudei até a 6º série, saindo em 1992, pois o mesmo foi fechado.

Em 1993, fui para a escola MJD (particular), onde a diretora e professora me receberam muito bem, acabei estudando com minha irmã mais velha Carolina e meu irmão Claudio. Os anos se passaram, eu concluí os meus estudos e passei no vestibular para Engenharia Mecânica (UCP). Em 1999, fui morar sozinha em Petrópolis, ficando na UCP, até 2001, ano em que pedi transferência para a PUC no Rio de Janeiro, onde passei por desagradáveis situações, como ser discriminada na sala de aula por alunos que não queriam estudar comigo, nem sequer fazer trabalhos juntos.

Em 2011, momento histórico da minha vida: formei em Letras/Libras pela UFSC– Universidade Federal de Santa Catarina, passei para o Curso de Pós-Graduação de “LIBRAS: ensino, tradução e interpretação” da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro e, também, Pós-graduação do SENAC/EAD.


4) Desde quando usa a língua brasileira de sinais (Libras)? 
Era rebelde e fui contra a língua dos surdos. Cheguei a zoar de muitos surdos por sua língua… Em 7 de setembro de 1999, fui a festa de Confederação dos Surdos (Grajaú/RJ), onde conheci Ronaldo Guerretta, que hoje é meu marido, casamos em 2003. Decidi então abandonar o curso de engenharia mecânica. Em 2004, um amigo me sugeriu um curso de Libras, até então não sabia o que era Libras. Entrei então para APADA (Niterói) onde conheci Gildete Amorim. Apaixonada por Libras, desisti do Implante Coclear. No ano de 2005, nasceu meu filho, Aquiles Guerretta. E em 2006, assumi a identidade de surda, virei instrutora na APADA, entrei no TBS (Teatro Brasileiro de Surdo) com Nelson Pimenta, passei no PROLIBRAS, enfim, o início de uma carreira de grandes alegrias e realizações .,..

5) Como se comunica com familiares, amigos e o público em geral?
Com minha família, falo Português, mas para meu filho que é CODA, sinalizo e às vezes falo com ele. Para o público em geral, falo e sinalizo, depende se as pessoas entendem a minha fala ou não.

6) O que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) significa para você?
Demorei muito para descobri o que era Libras, as vezes me pergunto o porquê não abracei essa língua desde pequena, é uma língua linda, linda demais…e a cada dia, é uma caixa cheia de surpresas.

7) Pode contar um pouco sobre o seu trabalho? Quais são seus novos projetos?
Sou professora e coordenadora de Libras na APILRJ–Associação de Profissionais Intérpretes de Libras do Rio de Janeiro e também ministro aulas em empresas e sou tutora da UFRJ (CEDERJ). Trabalhei como tradutora de Libras com a Equipe de Editora Arara Azul.

8) O que você faz para se divertir ou se distrair?
Adoro almoçar com a minha família no domingo. Viajo muito com a minha família. Gosto de dirigir meu carro, para me distrair. Também, leio livros e curto muito com meu filho.

9) Quais são seus planos para o futuro?
Lançar livros sobre metáforas em Libras, pesquisar e conhecer mais sobre a Libras e as línguas de sinais do mundo, viajar de carro com meus amores para Costa Rica e comprar um quadro original do pintor Claudio Souza Pinto. Esses são meus planos!

10) Você é uma pessoa feliz? Por quê?
Sim, sou feliz, por que já tenho uma família grande, tenho um filho lindo e um marido maravilhoso. Tem dia que fico triste quando vejo coisas ruins, mas infelizmente isso faz parte da vida.

11) O que mais gostaria de dizer para os leitores da RVCSD?
“Experiência não é o que acontece com você, mas o que você fez com o que lhe aconteceu.” Aldous Huxley


VEJA ESTA ENTREVISTA EM LIBRAS (SEM LEGENDAGEM E SEM ÁUDIO):

REGISTRO FOTOGRÁFICO

CLARISSA GUERRETTA no Espírito Santo em 1984

CLARISSA GUERRETTA apresenta reprodução de quadro 
do pintor CLAUDIO SOUZA PINTO, que considera lindo!

CLARISSA GUERRETTA, com seu filho Aquiles,
quando costurou esta fantasia a pedido dele
desejando que ela fosse a mãe dos peixinhos. 2008.

CLARISSA GUERRETTA, com seu filho – Aquiles ao colo e
com seu pai – Rômulo, seu irmão caçula – Cláudio, seu marido Ronaldo,
sua mãe – Anita e  sua cunhada – Stella com a sua sobrinha – Stephanie ao colo
em passeio na Disney/EUA no ano de 2009

CLARISSA GUERRETTA e sua amigas “gauchinhas”
na Costa Rica em 2008, em passeio inesquecível!

CLARISSA GUERRETTA e HELOISE GRIPP,
na África do Sul em 2011, em outra viagem inesquecível !

CLARISSA GUERRETTA com seu filho Aquiles
e as amigas de trabalho GILDETE AMORIN (ouvinte) e HELOISE GRIPP (surda)
em festa de confraternização de APILRJ no ano de 2011

 

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