Revista

edicao 06 - 6

ENTREVISTA com TORÍBIO MALAGODI

IDENTIFICAÇÃO
Nome: 
Toríbio Ramos Malagodi
Cidade: Canoas
Estado: RS
País: Brasil
Formação: Terceiro Grau Incompleto
Profissão: Atleta / Estudante / Coordenador de Redes Sociais
Locais de Trabalho: Em casa / Parque Marinha (Vôlei de Praia)
Locais de Estudo: Universidade Luterana do Brasil (ULBRA)
Contato: topfera@uninet.com.br


PERFIL
1) Nasceu surdo? Pode contar um pouco como foi sua infância, adolescência e juventude?
Sim, nasci surdo. Passei a infância fazendo fonoaudiologia e estudando, sempre com a dedicação da minha mãe e meu pai a mim para que eu pudesse crescer e que tivesse um futuro promissor.

2) Em que cidade você nasceu?
São Paulo

3) Em quais cidades você residiu?
Morei pouco em São Paulo, mesmo tendo nascido lá, morei no Rio de Janeiro, depois em Petrópolis, uma cidade na serra fluminense e agora moro em Canoas, do RS, que é bem perto do Porto Alegre.

4) Já viajou pelo Brasil ou pelo exterior? Quais cidades você visitou?
Me considero um tanto viajado, por viajar com meus pais na infância e adolescência, e também através do esporte atualmente, conheço quase o Brasil inteiro, não conheço apenas as da região Norte e Centro-oeste, menos a Brasília. Já no exterior, fui nos Estados Unidos três vezes, e uma delas foi fazer um acampamento esportivo na Universidade só para surdos, a Gallaudet. Por turismo, já fui para Europa e viajei por lá, como Espanha, Portugal duas vezes (em uma vez, representei o Brasil no acampamento para jovens surdos do mundo), França e Inglaterra, e na América do Sul, já fui para Argentina duas vezes, sendo uma para jogar o mundial de vôlei de surdos, representando o Brasil, Uruguai e Venezuela para Surdolimpiadas Pan-Americano. E finalmente o mais longe de todos, o Taiwan, que é perto da China, por representar o Brasil na Surdolimpiadas.

5) Estando fora do Brasil, como faz para se comunicar?
Quando é para participar de eventos para surdos, nós usamos praticamente Lingua Universal que é uma língua gestual, que tem influência de ASL (Lingua de Sinais Americano), e muito uso de Inglês que já tenho um domínio suficiente e é meio de comunicação obrigatória para todos os surdos que participam desses eventos. Já quando é turismo, uso bastante escrita, com inglês ou até mesmo apelo para mimica e indicações! Os surdos tem experiência em se virarem com problemas de comunicação!

6) Você tem irmãos?
Nenhum!

7) Quais as brincadeiras infantis de que você mais gostava?
Que eu adorava, era videogame mesmo, e também amava esportes, mas não praticava direito, por falta de oportunidade.

8 ) Outras pessoas de sua família tem surdez?
Nenhuma

9) Em quais escolas e universidades estudou ou estuda?
Estudei em escolas particulares sem maiores problemas, quando ingressei na UCP (Universidade Católica de Petrópolis), o nível de dificuldade aumentava, não conseguia acompanhar as aulas e não tinha acessibilidade para mim, então, visando o melhor crescimento profissional, troquei de universidade para ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) que oferecia intérpretes para os surdos e logo troquei de curso para Engenharia Mecânica Automotiva, no qual estou até hoje.

10) Durante o ensino fundamental e médio, você contou com intérpretes em sala de aula?
Nunca

11) Ainda no ensino fundamental e médio, você precisava de ajuda extra (família, colegas, intérprete, professores particulares, etc) para executar as tarefas escolares?
Sim, eu tinha uma professora particular que foi uma grande ajuda.

12) Desde quando usa a língua brasileira de sinais (Libras)?
Quando era criança, usava Libras com outros surdos, na fonoaudiologia, mas a minha família se mudou para uma cidade na serra, para me dar uma vida mais calma e segura, mas acabou me afastando da comunidade surda, praticamente parando de usar Libras até meus 20 anos, quando resolvi me mudar para Sul, estudar na nova universidade, tive a oportunidade de me ingressar na comunidade surda e hoje já faço parte e uso Libras no meu dia a dia.

13) Como se comunica com familiares, amigos e o público em geral?
Como sou oralizado, não tenho muita dificuldade em me comunicar com os ouvintes, inclusive a minha companheira é ouvinte, apenas enfrento dificuldades quando estamos em grupo. Quando estou com os surdos, praticamente é outro mundo, a qual estou adaptado e sem nenhuma dificuldade.

14) Você se considera uma pessoa bilíngüe, com domínio pleno da Libras e com domínio pleno da Língua Portuguesa falada e escrita?
Me considero sim.

15) Em sua opinião, quais os fatores mais contribuíram para que você, ainda tão jovem, consiga ser uma pessoa surda bilíngüe, com domínio pleno de ambas as línguas (Libras e Português)
Bastante leitura, sendo incentivado pela minha mãe, e também muita fonoaudiologia na infância.

16) Você já desenvolveu algum trabalho em que tivesse que demonstrar concretamente sua competência e Libras e em Língua Portuguesa?
Já sim, os trabalhos que realizei com a Arara Azul, e também no dia a dia que utilizo bastante os ambos para vários trabalhos.

17) O que a Libras significa para você?
É a minha própria língua, dos surdos, a qual sempre estará em primeiro lugar…

18) Pode contar um pouco sobre o seu trabalho? Quais são seus novos projetos?
O meu trabalho começou com o esporte, que sempre tive um físico e talento para esporte, mas nunca fui orientado ou dedicado a seguir nisso por falta de oportunidades, então quando me mudei para Sul e ingressei na comunidade surda, fui apresentado ao esporte de surdos e tive oportunidade de representar o Brasil, fazendo parte da Seleção Brasileira de Basquete de Surdos e logo depois Seleção Brasileira de Vôlei de Surdos, e segui no vôlei, me migrando para Vôlei de Praia, no qual coleciono mais resultados, sendo o atual Tri-Campeão Brasileiro Invicto de Vôlei de Praia de Surdos e representei o Brasil na ultima Surdolimpíadas (Olimpíadas de Surdos), e ficamos em nono lugar, que foi um resultado expressivo diante de pouquíssimo apoio que tivemos, e com isso eu vi a realidade do esporte de surdos aqui no Brasil, que está muito atrasado em relação a outros países, então desde me dedico para mudar essa realidade e estou trabalhando em varias áreas, sendo Tesoureiro Geral da Federação Desportiva de Surdos do Rio Grande do Sul, Diretor de Relações Publicas da Confederação Brasileira de Desportos para Surdos, e também na Política, sendo Delegado Estadual Eleito pelo RS para participar da 3 Conferencia Nacional de Esporte, na qual obtemos uma grande vitória e o Esporte de Surdos foi reconhecido! O meu novo projeto agora é acompanhar o Ministério de Esporte para instaurar essas propostas, e futuramente criar uma subsecretaria de desporto de surdos no Ministério de Esporte e com isso dar as oportunidades aos atletas surdos de representar o Brasil que é um dos maiores orgulhos da minha vida e quero que todos os atletas surdos tenham essa oportunidade!

19) Você, como atleta atuante, já pensou em dirigir seus estudos para essa área?
Já, mas para atuar em gestão, não em educação. Mas tenho como o objetivo de finalizar a minha faculdade atual.

20) No início desta ENTREVISTA você declarou possuir as seguintes profissões atleta, estudante e coordenador de redes sociais. Com faz para conciliar seus compromissos como estudante, atleta e coordenador de redes sociais?
Nenhum trabalho é integral e consigo ser flexível com os horários, dividindo cada um deles. Quando sobra o tempo, me dedico ao que esta sendo a prioridade no momento, pois cada um dos compromissos tem uma época importante e me dedico a finalizar os mais importantes.

21) O que você faz para se divertir ou se distrair?
Nos finais de semana costumo participar de eventos esportivos de surdos, também dedico bastante tempo a minha amada que é uma grande alegria para mim!

22) Quais são seus planos para o futuro?
Antes de conhecer a comunidade surda, eu tinha desejos de trabalhar em empresas grandes e crescer profissionalmente, mas depois de conhecer a comunidade surda e representar o Brasil, tenho me dedicado para mudar a realidade brasileira dos atletas surdos, fazer diferença no Brasil todo e ser reconhecido com isso.

23) Você é uma pessoa feliz? Por quê?
Sim, porque estou fazendo tudo que me satisfaz e que me orgulho com as atividades que realizo.

24) O que mais gostaria de dizer aos leitores desta REVISTA?
Apenas uma palavra que faz toda diferença no mundo: Dedicação

FOTOGRAFIAS DE TORÍBIO RAMOS MALAGODI para

REVISTA VIRTUAL DE CULTURA SURDA E DIVERSIDADE EM SETEMBRO / 2010

 

Surdolimpiadas (Deaflympics) em Taipei-Taiwan / Setembro – 2009


 

Surdolimpiadas (Deaflympics) em Taipei-Taiwan / Setembro – 2009


 

Surdolimpiadas (Deaflympics) em Taipei-Taiwan / Setembro – 2009


 

3 Circuito Nacional de Volei de Praia de Surdos – Porto Alegre / Abril – 2010


 

3 Circuito Nacional de Volei de Praia de Surdos – Porto Alegre / Abril – 2010

 


3ª Conferência Nacional de Esporte em Brasília / Maio – 2010

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